Em Buenos Aires conheci o Pablo Dacal, um portenho meio folk que arrisca bastante na ironia das letras e na ousadia das composições.
Como no show em que assisti em San Telmo junto com a Orquesta de Salon - clarinete, trompa, percussão, bateria, baixo acústico, violão de 10 cordas, 2 violinos(!) e outras coisas que não identifiquei. O show se chama ‘La era del sonido’ e desse show eles gravam um disco que coloco aqui para download.
Alegre e feliz, Pablo é cantor, compositor, professor de música e toca, preferencialmente, su guitara, mas também domina o piano e a flauta.
Do disco destaco a otimista ‘La Guitarra y El Bolsón’ que tem um começo de sopros que gosto bastante. O violino (novamente ele) é bem destaco nessa faixa.
‘Fantasma’ acho divertida e bonita. ‘Uno tiene medo de sospecha, otro tiene mede de la confianza’, mas ‘caminan muy tranquilos, sin notar que viven con fantasmas’, diz a letra realista e profunda.
E a útlima que aconselho é ‘Fantasía’. Desafio alguém a ouvir essa baladinha ao ritmo do assovio e não balançar a cabeça ou tentar assoviar junto. É muito contagiante! Só instrumental, ela é o começo e o fim do show.
Também acho bonita ‘Ella Ya Está na Playa’ e ‘Zamba Del Fin Del Mundo’ a mais bonita do disco.
Clipe da música ‘Rumbo Negro’ que não está no disco.
Ao vivo ‘La Petaquita’, música do folclore argentina.
Mais um clipe, ‘Balada del Mar Salgado’. Essa tá no disco que coloquei para download. Aliás, o lugar em que eles aparecem tocam foi onde eu os vi. Bar El Nacional.
Galera, a proposta do blog não é nem nunca será de divulgação de shows e artistas (famoso jabá). O objetivo é mesmo descontração e não trabalho.
Mas faço questão de avisar ao desavisados que possam estar em São Paulo pelo dia 9 ou 11 de junho do novo show de um grande amigo e xará, Eduardo Pitta.
Gaúcho e assíduo do blog (te coloquei na responsa agora, hein?) se radicou em São Paulo para se aprofundar no samba, no jazz e no samba-rock e como se aprofundou.
Carismático, com grande voz e um ótimo talento para compor e escrever. Tudo isso vocês podem ouvir nas 5 faixas gravadas ano passado (sem a formação do show) que disponibilizo aqui no blog para download.
Bom, vamos ao show.
Além disso tudo que já falei e que vocês podem ouvir, o show, ‘Eu Sambo Mesmo’, é uma parceria de Pitta com Zé Domingos (sambista paulista clássico dos anos 70) e com o grupo Regional Lua de Prata (uma galera nova e cheia de energia). Com direito a bandolim, cavaquinho, pandeiro, percussão e violão de 7 cordas o show será bem mais conectado com o samba de raíz e com o chorinho do que essas 5 músicas que disponibilizei para download.
Já ouvi algumas coisas dos ensaios e tá muito bom!
Além de composições próprias Pitta promete relembrar grandes clássicos do samba como Cartola e outros.
Segue o serviço do show. Dia 9 e 11 de junho, na Vila Madalena em São Paulo.
Já que falei e falei dele, vou mostrar um pouco também.
(show em formação Trio com participação especial da galera do Clube do Balanço)
Esse é o divertido nome do projeto musical de NY liderado pelo dj Andy Butler e que entre os participantes está Antony Hegarty, líder e vocalista da banda Antony and the Johnsons. Queridinhos dos modernos da Europa, eles acabaram de sair na última coletânia da cool store Colette, e lançaram seu primeiro álbum agora em 2008, um disco bem eletrônico com grande influência do dance e do house.
Lançado pelo selo DFA Records, selo independente que é distribuido pela EMI e já virou referência da nova música eletrônica, o disco recebeu inúmeras críticas positivas nos mais diversos países: 4 estrelas pelo americano The Times, 4 estrelas pelo inglês This is Fake DIY, 9.1 pelo respeitado Pitchfork de Chicago e nota 8 pela mais que tradicional New Music Express (NME).
‘Blind’ é a faixa mais estourada do grupo. Além de estar na coletânia número 9 da Colette foi o single de lançamento.
‘True False/Fake Real’ é uma faixa que recomendo, a diversão e ironia já começa pelo título e se estende pela música toda. Com um coral base que fica ao fundo de toda a música, um início caribenho com bongos e teclados bem sintéticos no decorrer da música essa faixa é mash-up que garante a diversão
‘Jim’ é o último disco de Jamie Lidell, músico e soul singer inglês de 34 anos.
Lidell me chamou atenção por estar fazendo uma boa mistura da antiga soul music, resgatando toda a energia e ritmo dançante, com elementos mais eletrônicos e experimentais. Concordo com muitos em comparar ele com o Prince no começo de carreira (li críticas, inclusive, em que dizem que ele é o que o Prince tentou ser a vida toda(!)). Um novidade que tenta, verdadeiramente, trazer alguma coisa nova para esse ritmo tão interessante, mas ao mesmo tempo tão desgastado por cantores (cantoras principalmente) que nos últimos anos só gravaram imitações dos grandes mestres da soul music.
Melhor descrição que posso fazer do som dele é ‘retro sounds futuristic’.
Lidell foi muito bem nesse disco. Apesar de ter uma ótima voz ele não cai, em nenhum momento, na tentação muitas vezes brega de usar sua voz para como protagonista da música. Existe um equilíbrio ideal presente em todas as faixas entre a áurea soul, a voz bonita e marcante com elementos modernos e experimentais.
Destaco do disco as seguintes faixas:
‘Rope of Sand’ e ‘All I Wanna Do’: baladas daquelas que o James Brown sente orgulho. Românticas, sensuais e sexys são perfeitas para ouvir a dois. ‘All I Wanna Do’ é particularmente minha preferida, o final com a gaita de boca faz a diferença.
‘Out of My System’ é um bom exemplo da mistura do novo e do antigo. As marcações clássicas do soul music, através da bateria e do teclado, se misturam com efeitos e quebras, com altos e baixos, bem experimentais.
‘Where D’ You Go?’ daquelas soul music com o piano bem marcado e com gírias do gueto, onde o piano dá o ritmo e a cara para a música. Estilo os bons tempos de Stevie Wonder.
‘Figured me Out’ é uma das faixas mais modernas. Além da mistura com o eletrônico, é uma faixa cheia de efeitos, o ritmo quebrado e a forma como o Lidell canta transformam a faixa quase num Hip Hop, muito boa. Melhor faixa para mim.
Andrew é músico, escritor e multi-instrumentista que representanta bem a nova onda indie folk que está tomando conta dos mais modernos. Americano de Chicago de 35 anos com grande influência de música clássica (formado pela Northwestern University em violino), jazz antigo e blues ele acabou, depois de quase 10 albuns, se encontrando com a folk music. Esses, dividos entre albuns com banda, albuns de banda (em que ele era um dos integrantes) até os três últimos solos, que são os seus discos mais indie folk
A formação clássica e com inspiração no jazz e no blues fazem com que Andrew tenha um folk um pouco mais elaborado e menos imitando Bob Dylan do que a média dos ‘indie-folkers’, o que para alguns é até um erro, um pecado para os puristas da folk music (que é, na cultura americana, um revival da música tradional do país feita por artistas como Bob Dylan, Pete Seeger e Joan Baez na década de 50 e 60. Outra definição de folk music é simplismente música tradicional).
Aliás, vale o comentário, conheci Andrew Bird numa linda participação que ele faz na faixa ‘London Town’ do disco da ótima cantora francesa Emily Loizeau (vale entrar no site), disco esse que ganhei de uma grande amiga.
O disco todo é muito interessante, arranjos bonitos e produção muito boa. Vale baixar e ouvir todo, mesmo para quem não gosta de folk, pois o disco não é nada monotono. Aliás, ele é cheio de referências à música clássica e até eletrônica (na faixa ‘Simple X’ gravada com Martin Dosh), bem diferente da tradicional folk music americana.
Destaco duas músicas:
Plasticities: talvez a melhor música do disco. A introdução é linda, com instrumentos clássicos, tem um dedilhado de violino e um outro instrumento que não sei o nome, mas adoro. Animada, a música toda é bem legal, é a música que mostraria para apresentar o artista, se só pudesse escolher uma.
Heretics: também bem animada é outra faixa onde a participação do violino é bem marcante, deixando a faixa com um ar de herudito, mesmo com toda a bateria que conduz e carrega o ritmo dessa faixa.
Videos:
(clipe da faixa ‘Imitosis’)
(apresentação de ‘Plasticities’ no Coachella em 2007)
Admito que pirei quando ouvi pela primeira vez esse quarteto novaiorquino, os Battles. Todos músicos são conhecidos do cenário underground, vieram de bandas como Don Cabellero e Lynx, e resolveram se juntar para criar essa banda de match-rock (rock originado nos anos 80 complexo e cheio de ritmos atípicos e irregulares paradas e recomeços) dançante e energizante, um ritmo irmão do post-rock.
O disco é muito bom. A revista NME (New Music Express), fiquei sabendo depois, chamou o som deles de ‘future-funk’.
Todas são realmente boas, mas as que eu mais gostei foram: ‘Race In’ que é frenética e cheia de efeitos, é uma das que eu mais gosto e aconselho. Outra muito interessante é ‘Atlas’, a mais pop do disco, que tem um ritmo e umas viradas ótimas, e a guitarra lá 2 minutos e 30 é muito bom vale a faixa. E por último destacaria ‘Ddiamondd’ que tem um começo de canto incompreensível que é bem louco.
Conheci essa nova banda, o Yeasayer, a pouquíssimo tempo e adorei eles. Com um som multilcultural, misturando o étnico com o rock e a música eletrônica, esse quarteto do Brooklyn é uma das grandes revelações da música independente.
Eles só possuem um album, o ‘All Hours Cymbals’ que foi lançado em outubro de 2007 pelo selo indie ‘We are Free’, já no começo de 2007 eles começaram a aparecer para mídia especializada pela participação no incrível SWXS, festival de música que acontece Austin, Texas.
Eles são modernos e antenados com o mundo. Suas músicas buscam referências nos mais diferentes estilos, do rock pesado em ‘Wait for the Wintertime’ até a psicodélica espiritual de ‘Wait for the Sumertime’ (ótimos oposições). E como todo bom artista independente já entenderam que a internet é a solução e não o problema: dois singles desse disco, ‘2080′ e ‘Sunrise’ estão disponíveis para download de graça no site da banda.
Algumas músicas desse disco de estréia, como a ótima ‘2080′, me lembram o David Byrne e o Talking Heads. Aliás, todo o disco com referências orientais, africanas e do oriente-médio, mostra que a banda é uma seguidora do caminho aberto por Byrne e sua gravadora, a Luaka Bop.
Além das faixas que já mencionei gosto muito e aconselho escutar com carinho as faixas:
_’Sunrise’: faixa que abre o disco. Ela tem uma energia muito boa, perfeita escolha para abrir um disco. Com um vocal gospel que abre espaço para a voz rasgada do vocalista e com um toque de tambores (como se fossem bumbos ao fundo) é um pequeno gostinho do que está por vir.
_’Forgiveness’: talvez a melhor faixa do disco junto com ‘2080′. Depois de uma introdução confusa e meio irritante a faixa parece que vai se encaminhar para uma baladinha rock e você está gostando da bateria e guitarra repetida ela se ‘perde’ para o acústico e acaba mais instigante ainda.
Bent é um duo inglês (de Nottinghan) de música eletrônica formado pelos músicos Neil Tolliday e Simon Mills que lançaram seu primeiro disco em 2000, o aclamado pela crítica ‘Programmed to Love’.
Depois de 4 discos lançados, o último em 2006, Bent é reconhecido pela capacidade original de mixagem e por sempre gravarem sampliando sua própria coleção de discos, que eles chamam de ‘dodgy’. Nunca assisti ao vivo, mas dizem que é um show a parte.
De todos os discos do duo gosto mais do primeiro em que o estilo predomindante é chillout (ou donwtempo). Um eletrônico mais calmo, que mistura referências do House e do Ambient, e as vezes, como nesse disco, se aproveita de elementos do jazz. Por isso gosto de chamar esse disco de Nu Jazz, que é a mistura da música eletrônica com jazz.
Tirando o último album, o ‘Intercept!’ que tem uma sonoridade muito mais disco, todos os outros são no estilo downtempo. Aliás, o segundo disco, chamado ‘Everlasting Blink’ de 2002 é um dos meus favoritos também.
Bom, mas o álbum que irei colocar para download aqui é o ‘Programmed to Love’, primeiro e talvez o melhor disco para conhecer o Bent. Ele foi lançado em 2000 pela, então não tão conhecida, Ministry of Sound. É um disco muito consistente que não se prende só a um estilo do chillout e explora todas suas possibilidades. Como na faixa ‘Invisible Pedestrian’ em que eles ’soltam a mão’ no free jazz e transformam o disco num verdadeiro album de Nu Jazz. É uma ótima faixa, tensa e densa que não te deixa ‘relaxar’ um minuto. Já em ‘Private Road’ as referências ao chillout são muito claras, a voz é calma o ritmo é constante e os efeitos apaiziguantes. ‘Cyclons in Love’ é uma das minhas preferidas. Com vocais distorcidos e com a introdução feita por um violão acústico seguida de um piano…é ótima, não parece música eletrônica.
Segue o disco para baixar dividido em dois link: link 01 e link 02.
Jean-Benoit Dunckel é uma das partes do incrível Air, duo francês de música eletrônica, que no final de 2006 lançou seu primeiro disco solo sob o alcunha de Darkel: escuro em alemão.
Essa primeiro disco, que leva o mesmo nome do artista, tem o mesmo mood e atmosfera sensual que são marcas fortes e reconhecidas nos discos do Air. É um disco que quem gosta de Air vai gostar sem nenhuma dúvida, pois é impossível não fazer referências constantes ao duo quando falamos de ‘Darkel’. Parecendo, muitas vezes, mais um disco de divulgação e continuação do Air do que um projeto paralelo. A principal diferença entre o Air e esse primeiro trabalho solo de Dunckel é que em ‘Darkel’ o músico permite se aprofundar mais em ritmos como o Pop e o Rock e ser um pouco menos experimental.
Misturando música pop francesa, música eletrônica, ambient e pitadas de rok ‘Darkel’ foi um dos melhores disco de 2006. Sua modernidade e facilidade de absorção é impressionante. Coloco o ‘Darkel’ como um dos ápices da evolução e retomada da música pop francesa nesse século XXI.
Destaco nesse disco 4 faixas:
_’At the end of the sky’: a faixa mais pop do album. É divertida e remete muito ao pop francês. Alegre e animadora.
_’TV Destroy’: toda a influência rock de Dunckel aparece nessa faixa. Uma das poucas faixas desse disco que não poderiam ser colocados num disco do Air.
_ ‘Some men’: música mais bonita do disco. Com uma base de piano linda e com o refrão ‘ Some men wait for jesus and god / Some men have stopped waiting /I’ve been waiting for you for so long’ essa faixa é de emocionar qualquer um.
_’Earth’: uma das faixas mais eletrônicas ela remete muito ao Air, cheio de efeitos e referências ao ambient.
Para quem quiser conhecer mais segue o clipe de ‘At the end of sky’, uma sessão de estúdio de ‘Some men’ e o myspace do francês.
Nunca escrevi nada aqui no blog sobre um dos ritmos que mais gosto, o samba. Talvez por dificuldade em encontrar artistas e músicos novos que realmente me surpreendam. Mas, como é véspera de carnaval, achei que a data era propícia para a estreia do samba no Modesta Música Moderna.
Existe muita gente nova fazendo samba bom, mas nada muito novo e sim muita releitura de clássicos. O que até é positivo, pois muitas redescobertas e artistas esquecidos estão aparecendo para o grande público. Entretanto, sinto ainda muito falta de novos compositores.Por isso resolvi fazer um post sobre um compositor nem tão novo assim, tem 49 anos, mas que lançou em meados de 2007 seu primeiro e já tardio disco solo de estúdio: Arlindo Cruz.
O compositor, cantor e músico carioca é um dos maiores compositores do samba, ele participou de uma das principais formações do Fundo de Quintal, a chamada formação fundamental. Arlindo entrou no Fundo depois do 1º disco e permaneceu até 1993 (mais de 20 anos!).
Arlindo Cruz tem formação informal (aprendeu a tocar cavaquinho ‘de ouvido’ com 7 anos) e formal (estudou guitarra clássica). Já escreveu quase 500 músicas cantadas por artistas como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Maria Rita, entre muitos outros. Maria Rita gravou 6 músicas do Arlindo no seu último disco, o ‘Samba Meu’, que até está bom para quem nunca tinha cantado samba na vida.’Sambista Perfeito’ é ótimo, um disco maduro de samba. Que não deixa cair no medíocre, nem no senso comum e esteriótipo do samba. As 12 faixas inéditas e 2 regravações de parceiros (as faixas ‘Minha Porta-bandeira’ e ‘Rosa’) passam por diferentes variações e visões do samba: do samba malandro com a faixa ‘Sambista Perfeito’, passando pela romântica e linda ‘Amor com Certeza’ até o dançante ‘Pára de Paradinha’. Outro ponto positivo do disco é a produção de Leandro Sapucahy, grande músico que fez um ótimo trabalho nesse disco e também no último da Maria Rita.
Outra atração do disco são as participações especiais, que não podiam faltar no disco de um compositor tão generoso como Arlindo Cruz. A primeira é ‘Se eu encontrar com ela’ que tem participações de Zeca Pagodinho, Velha Guarda do Império Serrano e Velha Guarda da Portela. Depois ‘O que é o amor’ com Maria Rita, seguida de ‘O Brasil é isso aí’ com Marcelo D2, entre outras participações.
Sério, as sugestões do que ouvir é impossível dessa vez. Todas são ótimas. Recomendo escutar do começo ao vivo, até porque é daqueles discos feitos de forma pensada. Começa num ritmo calmo com ‘Meu Lugar’, uma homenagem a ‘capital do subúrbio carioca’: Madureira, e vai crescendo até acabar com ‘Entra no Clima’, totalmente em clima de festa.
‘E ainda ser valente sem dar bofetão / Cabeçada ou rasteira / Mas brigar pela arte / A parte melhor de Geraldo Pereira / Elegante do jeito Paulinho / Cativante do jeito Martinho / Ser malandro e contagiante / Do jeito Zeca Pagodinho’ (parte da letra ‘Sambista Perfeito’ de Arlindo Cruz).