Depois de umas merecidas férias volto a minhas atividades normais e, consequentemente, volto aos posts aqui no Modesta Música Moderna.O primeiro post de 2008 será sobre a Cibelle, paulista pra lá de afinada e muito musical que hoje está radicada em Londres e lançou em 2007 seu segundo album.Cantora e compositora que desde 2003, quando lançou seu primeiro disco (Cibelle), impressionou muita gente com sua música brasileira moderna, eletrônica e experimental.Hoje, com seu segundo disco já bem consolidado, o ‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, Cibelle aparece como uma das grandes relevações da música independente, moderna e alternativa. Conseguindo, até, um relativo sucesso no Brasil com a participação no Tim Festival de 2007.Seus dois discos foram lançados pela gravadora Ziriguiboom, gravadora criada pelo falecido e genial produtor Suba e que hoje foi incorporada a gravador Crammed Discs. Isso já bastaria par, sem conhecer o som da moça, ter interesse em ouvi-la.Mas existe mais elementos que instigam curiosidade em Cibelle: suas parcerias com o cenário independente das mais variadas partes do mundo. É parceira e amiga de brasileiros como o Curumin, Apollo Nove (que participa de quase todas as músicas desse último disco, ora como músico ora como produtor), Cidadão Instigado e Nação Zumbi (Pupilo, nesse último disco, participa de várias faixas), além dos gringos Devendra Banhart, CocoRosie e Lightspeed Champion (está acompanhando Cibelle em alguns shows).Mais do que Bebel Gilberto (companheira de gravadora), Cibelle é hoje a maior representante do Brasil na cena internacional moderna da música.O album ‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, assim como o primeiro de Cibelle, é cheio de referências e estilos. Misturando regravações e músicas inéditas em português e em inglês (aliás, muito bom!) o disco é muito bom e gostoso de se ouvir.Das regravações destaco ‘Green Grass’ do Tom Waits, que ficou linda e romântica na voz de Cibelle. ‘London, London’ de Caetano Veloso que a cantora interpreta com o incrível Devendra Banhart (veja o clipe no You Tube). ‘Para toda minha vida’ de Tom Jobim, que virou quase uma declamação de um poema. E a quase irreconhecível ‘Cajuína’ também de Caetano Veloso, que aparece aqui sem nenhuma referência nordestina.Já as inéditas também destaco várias faixas. ‘Instante de Dois’ que tem um letra linda escrita pela própria Cibelle. ‘City People’ e ‘Mad Man Song’, talvez as duas faixas mais experimentais do disco, a última escrita e gravada com o músico Spleen (que toca com a P.J. Harvey). Ainda destaco as duas inéditas que mais buscam referências no samba: ‘Minha Neguinha’, ‘Esplendor’, a última escrita por Ari Moraes e Moraes Moreira, e por último a faixa ‘Arrête lá, Menina’, escrita e com participação nos vocais e no violão de Seu Jorge.Para quem quiser saber mais sobre essa incrível cantora e compositora segue o Myspace da moça.
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Cibelle
Janeiro 7, 2008 · 6 Comentários
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Kátia B.
Novembro 21, 2007 · 6 Comentários
Katia Bronstein, mais conhecida como Kátia B. lançou este ano o seu terceiro disco, o ótimo ‘Espacial’ que conta com participação mais do que especial do gaúcho Vitor Ramil. Ela que é também conhecida no Brasil como mulher do baterista João Barone dos Paralamas do Sucesso, tem uma sólida e independente carreira no exterior, já teve seus discos lançados no Japão, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, mas só começou a aparecer com mais força para o Brasil nesse último disco.
“Muita gente não sabe o que realmente sou, uns acham que sou atriz, outros bailarina, outros cantora. Compositora, ninguém faz a menor idéia. Eu sou todas as opções anteriores.” Essa é a autêntica e determinada Kátia B, que já fez realmente tudo isso e hoje se dedica praticamente só para a música.
Neta de russos que fugiram para o Brasil essa carioca de Ipanema surge desde seu segundo album (2003) como uma das grandes realidades da música moderna brasileira. Fazendo uma bossa nova com toques de modernidade eletrônica que não ficam no óbvio, ela consegue dar novo sentido para a sensualidade carioca.
Coloco aqui esse segundo album da cantora, que tem o sugestivo e lindo título de “Só deixo meu coração na mão de quem pode”. Este, por melhor que tenha sido o último disco, ‘Espacial’, ainda é o melhor trabalho da carioca. É o album em que ela começa a deixar bem claro sua marca e estilo, sua identidade.
São inúmeras as parcerias desde disco, praticamente todas as faixas são prestigiada por algum parceiro. E essas participações são das mais variadas. Indo do genial e indiscutível Egberto Gismonti, passando pelo amigo e falecido Suba e pelo marido Barone até os djs Dolores e Marcelinho da Lua.
Destaco duas faixas deste segundo album, apesar deste ser um daqueles discos para deixar tocando e esquecer de tão bom e agradável que ele é.
A primeira é a faixa 5, ‘Are you Sleeping’, que tem a participação no piano de Egberto Gismonti e é cantada em inglês. A música aparece duas vezes no disco, a segunda é uma versão bônus maior na faixa 10. Bom, o destaque e principal atenção vão para o piano do Gismonti que junto com as edições e ritmos de Marcos Suzano (um dos produtores do disco) criam uma linda mistura entre o erudito e o moderno.
A segunda faixa que gostaria de destacar é a faixa 1, que dá nome ao disco, ‘Só deixo meu coração na mão de quem pode’. Bem mais brasileira que a moderna ‘Are you sleeping?’, conta além das programações eletrônicas com cavaquinho e violões. Aqui o destaque vai para a linda letra, mais do que para o arranjo ou melodia da música. Segue um pequeno trecho da letra:
“porque não quero teu ciúme que é o cúmulo / ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza / de si mesmo/ projetado / assim jogado / como lama anti-erótica / na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa e eu / não tô à toa / eu sou muito boa / eu sou muito boa pra vida / eu sou a vida”
Este ano Kátia começou a ter o reconhecimento brasileiro que merece com a turnê do album ‘Espacial’ e com o convite para cantar no Tim Festival no mesmo dia que a grande Cat Power.
Para quem quiser conhecer mais sobre a cantora e também ficar por dentro das datas dos shows, que aliás, é um show muito bonito com uma bela produção, segue o site e o myspace da carioca.
Bom proveito!
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Capa do disco.