Depois de tempos faço um post para mostrar o novo disco da minha banda brasileira favorita: o +2.
Depois de três discos trocando o band leader (‘Máquina de Escrever Música’ como Moreno +2, ‘Futurismo’ como Kassin +2 e ‘Sincerely Hot’ como Domênico +2) eles lançam agora o que parece ser o primeiro disco sem um líder.
O quarto disco chama-se ‘Imã’ (2009) e além simplesmente chamar a banda de +2 é o primeiro disco instrumental do trio.
Sempre fui muito fã dos Beastie Boys, mas admito que depois que ‘Hello Nasty’ (1998) quebrou minha cabeça em dois eu entrei em tantas outras buscas sonoras que deixei eles um pouco de lado.
Até que o Dani, minha segunda maior fonte de música depois da Desi, diz “Dudu, se já ouviu o instrumental do Beastie Boys? Dá pra entender todas as referências dos caras.”
Pronto, lá vou eu de novo entrar nesse universo foda (sempre no bom sentido). E é esse disco instrumental, o ‘Mix Up’ que eu coloco aqui para vocês baixarem.
Tô bem parado com o blog, mas depois de conhecer o talento dessa norueguesa tive que reativar.
De forma breve como os últimos e, como sempre, promentendo atualizar mais.
O que tenho para dizer sobre a Hanne Hukkelber além de que ela tem 30 anos e eu só fui conhecer ela a bem pouco tempo??
Posso dizer que ela faz um som suave, elegante e delicioso de ouvir e que em momentos incríveis faz experiências que são agradáveis até para os não fãs de música (existe isso?).
Ah, ela toca todos(!) os instrumentos do disco e começou a cantar e tocar com 3 anos. : )
Clipe da música ‘Cheater´s Armoury’ que está no disco que coloquei para vocês baixarem.
Seguindo com mais e menores posts falo hoje sobre essa figura ímpar chamada Cinval.
Nascido em Arco Verde, Pernambuco, ele faz um som incrível e muitas vezes inimaginável. Um caldeirão que mistura frevo, maracatu, jazz, techno lounge, funk, soul e, claro, o coco. Sempre fugindo do convencional, seja nas letras fortes ou surreais, na gravação caseira ou nos instrumentos inusitados, Cinval é um mar de inovação e criatividade na música brasileira atual.
Informação que ele sempre faz questão de deixar claro em todos os discos, “não usei computador nem sampler”(!).
Segue lista das músicas que no download não está aparecendo:
01_Boca de Ouro (Xerife) | 02_Não saque a arma | 03_A hora serta do sertão | 04_Coco dollár beat | 05_Os donos das ruas | 06_Motorista de ônibus (Destinos) | 07_Andando de Kombi | 08_ Overdose de carnaval | 09_Matou um pássaro pra matar a fome e foi preso | 10_Frevo techno maracatu | 11_Bebendo pra dar coragem | 12_Jazzjustrombone | 13_Stevieassombrado wonder | 14_Boca de ouro (Bôaite) | 15_Bôko môko (é a mãe) | 16_ Comando Marley | 17 e 18_faixas bônus.
O Baöba Stereo Club é uma dupla de jovens paulistas que faz um som instrumental de gente grande.
Henrique é responsável pelas guitarra semiacústica, violões e bandolim, que toca com uma suavidade e beleza incríveis, além do piano. Enquanto seu comparsa o Snoopy (a.k.a Paulo) toca uma bateria ‘nada ortodoxa’, meio quebrada, que me faz lembrar a banda Tortoise.
Com um som muito bem elaborado, mas ao mesmo tempo simples e gostoso de ouvir eles surpreendem. Uma banda instrumental que agrada aos mais exigentes pela beleza dos arranjos e construções, mas tem força para agradar também aos ouvidos menos treinados como os meus.
(video clipe da faixa ’Joanita’)
O disco tem ainda remix do M.Takara do Hurtmold na faixa ‘Sem-Querer’ uma das melhores do disco.
Baobä Stereo Club é daqueles sons para deixar rolando muitas vezes. Mesmo gostando deles na primeira audição, a cada nova audição eles ficam melhores.
‘Jim’ é o último disco de Jamie Lidell, músico e soul singer inglês de 34 anos.
Lidell me chamou atenção por estar fazendo uma boa mistura da antiga soul music, resgatando toda a energia e ritmo dançante, com elementos mais eletrônicos e experimentais. Concordo com muitos em comparar ele com o Prince no começo de carreira (li críticas, inclusive, em que dizem que ele é o que o Prince tentou ser a vida toda(!)). Um novidade que tenta, verdadeiramente, trazer alguma coisa nova para esse ritmo tão interessante, mas ao mesmo tempo tão desgastado por cantores (cantoras principalmente) que nos últimos anos só gravaram imitações dos grandes mestres da soul music.
Melhor descrição que posso fazer do som dele é ‘retro sounds futuristic’.
Lidell foi muito bem nesse disco. Apesar de ter uma ótima voz ele não cai, em nenhum momento, na tentação muitas vezes brega de usar sua voz para como protagonista da música. Existe um equilíbrio ideal presente em todas as faixas entre a áurea soul, a voz bonita e marcante com elementos modernos e experimentais.
Destaco do disco as seguintes faixas:
‘Rope of Sand’ e ‘All I Wanna Do’: baladas daquelas que o James Brown sente orgulho. Românticas, sensuais e sexys são perfeitas para ouvir a dois. ‘All I Wanna Do’ é particularmente minha preferida, o final com a gaita de boca faz a diferença.
‘Out of My System’ é um bom exemplo da mistura do novo e do antigo. As marcações clássicas do soul music, através da bateria e do teclado, se misturam com efeitos e quebras, com altos e baixos, bem experimentais.
‘Where D’ You Go?’ daquelas soul music com o piano bem marcado e com gírias do gueto, onde o piano dá o ritmo e a cara para a música. Estilo os bons tempos de Stevie Wonder.
‘Figured me Out’ é uma das faixas mais modernas. Além da mistura com o eletrônico, é uma faixa cheia de efeitos, o ritmo quebrado e a forma como o Lidell canta transformam a faixa quase num Hip Hop, muito boa. Melhor faixa para mim.
Conheci essa nova banda, o Yeasayer, a pouquíssimo tempo e adorei eles. Com um som multilcultural, misturando o étnico com o rock e a música eletrônica, esse quarteto do Brooklyn é uma das grandes revelações da música independente.
Eles só possuem um album, o ‘All Hours Cymbals’ que foi lançado em outubro de 2007 pelo selo indie ‘We are Free’, já no começo de 2007 eles começaram a aparecer para mídia especializada pela participação no incrível SWXS, festival de música que acontece Austin, Texas.
Eles são modernos e antenados com o mundo. Suas músicas buscam referências nos mais diferentes estilos, do rock pesado em ‘Wait for the Wintertime’ até a psicodélica espiritual de ‘Wait for the Sumertime’ (ótimos oposições). E como todo bom artista independente já entenderam que a internet é a solução e não o problema: dois singles desse disco, ‘2080′ e ‘Sunrise’ estão disponíveis para download de graça no site da banda.
Algumas músicas desse disco de estréia, como a ótima ‘2080′, me lembram o David Byrne e o Talking Heads. Aliás, todo o disco com referências orientais, africanas e do oriente-médio, mostra que a banda é uma seguidora do caminho aberto por Byrne e sua gravadora, a Luaka Bop.
Além das faixas que já mencionei gosto muito e aconselho escutar com carinho as faixas:
_’Sunrise’: faixa que abre o disco. Ela tem uma energia muito boa, perfeita escolha para abrir um disco. Com um vocal gospel que abre espaço para a voz rasgada do vocalista e com um toque de tambores (como se fossem bumbos ao fundo) é um pequeno gostinho do que está por vir.
_’Forgiveness’: talvez a melhor faixa do disco junto com ‘2080′. Depois de uma introdução confusa e meio irritante a faixa parece que vai se encaminhar para uma baladinha rock e você está gostando da bateria e guitarra repetida ela se ‘perde’ para o acústico e acaba mais instigante ainda.
Jean-Benoit Dunckel é uma das partes do incrível Air, duo francês de música eletrônica, que no final de 2006 lançou seu primeiro disco solo sob o alcunha de Darkel: escuro em alemão.
Essa primeiro disco, que leva o mesmo nome do artista, tem o mesmo mood e atmosfera sensual que são marcas fortes e reconhecidas nos discos do Air. É um disco que quem gosta de Air vai gostar sem nenhuma dúvida, pois é impossível não fazer referências constantes ao duo quando falamos de ‘Darkel’. Parecendo, muitas vezes, mais um disco de divulgação e continuação do Air do que um projeto paralelo. A principal diferença entre o Air e esse primeiro trabalho solo de Dunckel é que em ‘Darkel’ o músico permite se aprofundar mais em ritmos como o Pop e o Rock e ser um pouco menos experimental.
Misturando música pop francesa, música eletrônica, ambient e pitadas de rok ‘Darkel’ foi um dos melhores disco de 2006. Sua modernidade e facilidade de absorção é impressionante. Coloco o ‘Darkel’ como um dos ápices da evolução e retomada da música pop francesa nesse século XXI.
Destaco nesse disco 4 faixas:
_’At the end of the sky’: a faixa mais pop do album. É divertida e remete muito ao pop francês. Alegre e animadora.
_’TV Destroy’: toda a influência rock de Dunckel aparece nessa faixa. Uma das poucas faixas desse disco que não poderiam ser colocados num disco do Air.
_ ‘Some men’: música mais bonita do disco. Com uma base de piano linda e com o refrão ‘ Some men wait for jesus and god / Some men have stopped waiting /I’ve been waiting for you for so long’ essa faixa é de emocionar qualquer um.
_’Earth’: uma das faixas mais eletrônicas ela remete muito ao Air, cheio de efeitos e referências ao ambient.
Para quem quiser conhecer mais segue o clipe de ‘At the end of sky’, uma sessão de estúdio de ‘Some men’ e o myspace do francês.
Depois de umas merecidas férias volto a minhas atividades normais e, consequentemente, volto aos posts aqui no Modesta Música Moderna.O primeiro post de 2008 será sobre a Cibelle, paulista pra lá de afinada e muito musical que hoje está radicada em Londres e lançou em 2007 seu segundo album.Cantora e compositora que desde 2003, quando lançou seu primeiro disco (Cibelle), impressionou muita gente com sua música brasileira moderna, eletrônica e experimental.Hoje, com seu segundo disco já bem consolidado, o‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, Cibelle aparece como uma das grandes relevações da música independente, moderna e alternativa. Conseguindo, até, um relativo sucesso no Brasil com a participação no Tim Festival de 2007.Seus dois discos foram lançados pela gravadora Ziriguiboom, gravadora criada pelo falecido e genial produtor Suba e que hoje foi incorporada a gravador Crammed Discs. Isso já bastaria par, sem conhecer o som da moça, ter interesse em ouvi-la.Mas existe mais elementos que instigam curiosidade em Cibelle: suas parcerias com o cenário independente das mais variadas partes do mundo. É parceira e amiga de brasileiros como o Curumin, Apollo Nove (que participa de quase todas as músicas desse último disco, ora como músico ora como produtor), Cidadão Instigado e Nação Zumbi (Pupilo, nesse último disco, participa de várias faixas), além dos gringos Devendra Banhart, CocoRosie e Lightspeed Champion (está acompanhando Cibelle em alguns shows).Mais do que Bebel Gilberto (companheira de gravadora), Cibelle é hoje a maior representante do Brasil na cena internacional moderna da música.O album ‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, assim como o primeiro de Cibelle, é cheio de referências e estilos. Misturando regravações e músicas inéditas em português e em inglês (aliás, muito bom!) o disco é muito bom e gostoso de se ouvir.Das regravações destaco ‘Green Grass’ do Tom Waits, que ficou linda e romântica na voz de Cibelle. ‘London, London’ de Caetano Veloso que a cantora interpreta com o incrível Devendra Banhart (veja o clipe no You Tube). ‘Para toda minha vida’ de Tom Jobim, que virou quase uma declamação de um poema. E a quase irreconhecível ‘Cajuína’ também de Caetano Veloso, que aparece aqui sem nenhuma referência nordestina.Já as inéditas também destaco várias faixas. ‘Instante de Dois’ que tem um letra linda escrita pela própria Cibelle. ‘City People’ e ‘Mad Man Song’, talvez as duas faixas mais experimentais do disco, a última escrita e gravada com o músico Spleen (que toca com a P.J. Harvey). Ainda destaco as duas inéditas que mais buscam referências no samba: ‘Minha Neguinha’, ‘Esplendor’, a última escrita por Ari Moraes e Moraes Moreira, e por último a faixa ‘Arrête lá, Menina’, escrita e com participação nos vocais e no violão de Seu Jorge.Para quem quiser saber mais sobre essa incrível cantora e compositora segue o Myspace da moça.