O João além de ter uma irônia totalmente conectada com o momento do mundo que vivemos ele é muito talentoso. Seu trabalho, simplificadamente, é fazer mash-ups e remix com um tom e um conteúdo muito brasileiro.
Não tem nada mais dançante e alegre para um pista. Alías, hoje quem quiser ver ele tocando terá que ir para Londres onde ele está passando uma temporada.
Coloco aqui o primeiro e, até agora, único disco dele o ‘Big Forbidden Dance’ (referência clara ao movimento ‘criado’ por ele para a Volta da Lambada – matéria no O Globo).
Além disso existe muitos remix e faixas soltas do João Brasil na internet, basta procurar. Aliás, o João é daqueles artistas que se apropriou muito bem da internet como meio de disseminação e divulgação da sua música.
Três músicas que adoro do João Brasil e que não estão nesse disco:
Baile-funk (baile do parangolé) em homenagem à Caetano Veloso e todo o movimento tropicalista. A edição das imagens ficaram ótimas. Músicas utilizadas no mashup:
Tropicália – Caetano Veloso
Zanzibar – Edu Lobo
Nega do cabelo duro – Luiz Caldas
Swing da cor – Daniela Mercury
Por trás de brás pina – Guinga
Não se acabou – João Donato
Biotech is Godzilla – Ratos de Porão
Panis et circenses – Mutantes
Bocochê – Viniciu de Moraes e Baden Powell
Dançando Calypso – Calypso
Apesar de não ser fã da banda, remix foda de ‘Left Behind’ do CSS.
Remix de ‘Whachadoin’ da ótima dupla N.A.S.A, que aliás tá merecendo um post aqui.
Myspace e twitter do João Brasil para quem quiser saber mais.
Depois de tempos faço um post para mostrar o novo disco da minha banda brasileira favorita: o +2.
Depois de três discos trocando o band leader (‘Máquina de Escrever Música’ como Moreno +2, ‘Futurismo’ como Kassin +2 e ‘Sincerely Hot’ como Domênico +2) eles lançam agora o que parece ser o primeiro disco sem um líder.
O quarto disco chama-se ‘Imã’ (2009) e além simplesmente chamar a banda de +2 é o primeiro disco instrumental do trio.
Ela não é, necessariamente, inovadora ou tão moderna quanto os outros posts costumeiros desse blog. Mas hoje a me peguei ouvindo os clássicos da mpb e reescutei ela.
Essa brasiliense de 40 e poucos anos tem uma voz doce e um gosto muito refinado. Além do vies popular adquirido desde a infância por todos os grandes da mpb, ela tem formação erudita. Estudou flauta transversal e canto na Universidade de Brasília.
Além de ótima cantora ela também é compositora, mas o que vou postar aqui não será seu lado autoral, mas sim o lado da intérprete.
[Pocket Show em Porto Alegre cantando 'Até não mais' dos Kledir Ramil e gravada pelo antolôgico grupo gaúcho 'Os Almôndegas' em 1976 - imagem ruim, mas som bom]
Essa música está no disco ‘Poeira Leve’ gravado em 2004, um disco ótimo para quem gosta de samba das antigas com um toque contemporâneo. Todo o disco tem uma pegada samba meio minimalista, é muito gostoso de ouvir.
O disco também tem ótimas versões de ‘Tô’ do Tom Zé do, talvez, melhor disco de samba da história o ‘Estudando o Samba’ (76), ‘Acabou Chorare’ do segundo disco dos Novos Baianos (72), ‘Acontece’ de Cartola, ‘A Televisão’ do Chico Buarque e ‘Mora na Filosofia’ do genial Monsueto.
Galera, a proposta do blog não é nem nunca será de divulgação de shows e artistas (famoso jabá). O objetivo é mesmo descontração e não trabalho.
Mas faço questão de avisar ao desavisados que possam estar em São Paulo pelo dia 9 ou 11 de junho do novo show de um grande amigo e xará, Eduardo Pitta.
Gaúcho e assíduo do blog (te coloquei na responsa agora, hein?) se radicou em São Paulo para se aprofundar no samba, no jazz e no samba-rock e como se aprofundou.
Carismático, com grande voz e um ótimo talento para compor e escrever. Tudo isso vocês podem ouvir nas 5 faixas gravadas ano passado (sem a formação do show) que disponibilizo aqui no blog para download.
Bom, vamos ao show.
Além disso tudo que já falei e que vocês podem ouvir, o show, ‘Eu Sambo Mesmo’, é uma parceria de Pitta com Zé Domingos (sambista paulista clássico dos anos 70) e com o grupo Regional Lua de Prata (uma galera nova e cheia de energia). Com direito a bandolim, cavaquinho, pandeiro, percussão e violão de 7 cordas o show será bem mais conectado com o samba de raíz e com o chorinho do que essas 5 músicas que disponibilizei para download.
Já ouvi algumas coisas dos ensaios e tá muito bom!
Além de composições próprias Pitta promete relembrar grandes clássicos do samba como Cartola e outros.
Segue o serviço do show. Dia 9 e 11 de junho, na Vila Madalena em São Paulo.
Já que falei e falei dele, vou mostrar um pouco também.
(show em formação Trio com participação especial da galera do Clube do Balanço)
Nunca escrevi nada aqui no blog sobre um dos ritmos que mais gosto, o samba. Talvez por dificuldade em encontrar artistas e músicos novos que realmente me surpreendam. Mas, como é véspera de carnaval, achei que a data era propícia para a estreia do samba no Modesta Música Moderna.
Existe muita gente nova fazendo samba bom, mas nada muito novo e sim muita releitura de clássicos. O que até é positivo, pois muitas redescobertas e artistas esquecidos estão aparecendo para o grande público. Entretanto, sinto ainda muito falta de novos compositores.Por isso resolvi fazer um post sobre um compositor nem tão novo assim, tem 49 anos, mas que lançou em meados de 2007 seu primeiro e já tardio disco solo de estúdio: Arlindo Cruz.
O compositor, cantor e músico carioca é um dos maiores compositores do samba, ele participou de uma das principais formações do Fundo de Quintal, a chamada formação fundamental. Arlindo entrou no Fundo depois do 1º disco e permaneceu até 1993 (mais de 20 anos!).
Arlindo Cruz tem formação informal (aprendeu a tocar cavaquinho ‘de ouvido’ com 7 anos) e formal (estudou guitarra clássica). Já escreveu quase 500 músicas cantadas por artistas como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Maria Rita, entre muitos outros. Maria Rita gravou 6 músicas do Arlindo no seu último disco, o ‘Samba Meu’, que até está bom para quem nunca tinha cantado samba na vida.’Sambista Perfeito’ é ótimo, um disco maduro de samba. Que não deixa cair no medíocre, nem no senso comum e esteriótipo do samba. As 12 faixas inéditas e 2 regravações de parceiros (as faixas ‘Minha Porta-bandeira’ e ‘Rosa’) passam por diferentes variações e visões do samba: do samba malandro com a faixa ‘Sambista Perfeito’, passando pela romântica e linda ‘Amor com Certeza’ até o dançante ‘Pára de Paradinha’. Outro ponto positivo do disco é a produção de Leandro Sapucahy, grande músico que fez um ótimo trabalho nesse disco e também no último da Maria Rita.
Outra atração do disco são as participações especiais, que não podiam faltar no disco de um compositor tão generoso como Arlindo Cruz. A primeira é ‘Se eu encontrar com ela’ que tem participações de Zeca Pagodinho, Velha Guarda do Império Serrano e Velha Guarda da Portela. Depois ‘O que é o amor’ com Maria Rita, seguida de ‘O Brasil é isso aí’ com Marcelo D2, entre outras participações.
Sério, as sugestões do que ouvir é impossível dessa vez. Todas são ótimas. Recomendo escutar do começo ao vivo, até porque é daqueles discos feitos de forma pensada. Começa num ritmo calmo com ‘Meu Lugar’, uma homenagem a ‘capital do subúrbio carioca’: Madureira, e vai crescendo até acabar com ‘Entra no Clima’, totalmente em clima de festa.
‘E ainda ser valente sem dar bofetão / Cabeçada ou rasteira / Mas brigar pela arte / A parte melhor de Geraldo Pereira / Elegante do jeito Paulinho / Cativante do jeito Martinho / Ser malandro e contagiante / Do jeito Zeca Pagodinho’ (parte da letra ‘Sambista Perfeito’ de Arlindo Cruz).
Depois de umas merecidas férias volto a minhas atividades normais e, consequentemente, volto aos posts aqui no Modesta Música Moderna.O primeiro post de 2008 será sobre a Cibelle, paulista pra lá de afinada e muito musical que hoje está radicada em Londres e lançou em 2007 seu segundo album.Cantora e compositora que desde 2003, quando lançou seu primeiro disco (Cibelle), impressionou muita gente com sua música brasileira moderna, eletrônica e experimental.Hoje, com seu segundo disco já bem consolidado, o‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, Cibelle aparece como uma das grandes relevações da música independente, moderna e alternativa. Conseguindo, até, um relativo sucesso no Brasil com a participação no Tim Festival de 2007.Seus dois discos foram lançados pela gravadora Ziriguiboom, gravadora criada pelo falecido e genial produtor Suba e que hoje foi incorporada a gravador Crammed Discs. Isso já bastaria par, sem conhecer o som da moça, ter interesse em ouvi-la.Mas existe mais elementos que instigam curiosidade em Cibelle: suas parcerias com o cenário independente das mais variadas partes do mundo. É parceira e amiga de brasileiros como o Curumin, Apollo Nove (que participa de quase todas as músicas desse último disco, ora como músico ora como produtor), Cidadão Instigado e Nação Zumbi (Pupilo, nesse último disco, participa de várias faixas), além dos gringos Devendra Banhart, CocoRosie e Lightspeed Champion (está acompanhando Cibelle em alguns shows).Mais do que Bebel Gilberto (companheira de gravadora), Cibelle é hoje a maior representante do Brasil na cena internacional moderna da música.O album ‘The Shine of Dried Electric Jeanes’, assim como o primeiro de Cibelle, é cheio de referências e estilos. Misturando regravações e músicas inéditas em português e em inglês (aliás, muito bom!) o disco é muito bom e gostoso de se ouvir.Das regravações destaco ‘Green Grass’ do Tom Waits, que ficou linda e romântica na voz de Cibelle. ‘London, London’ de Caetano Veloso que a cantora interpreta com o incrível Devendra Banhart (veja o clipe no You Tube). ‘Para toda minha vida’ de Tom Jobim, que virou quase uma declamação de um poema. E a quase irreconhecível ‘Cajuína’ também de Caetano Veloso, que aparece aqui sem nenhuma referência nordestina.Já as inéditas também destaco várias faixas. ‘Instante de Dois’ que tem um letra linda escrita pela própria Cibelle. ‘City People’ e ‘Mad Man Song’, talvez as duas faixas mais experimentais do disco, a última escrita e gravada com o músico Spleen (que toca com a P.J. Harvey). Ainda destaco as duas inéditas que mais buscam referências no samba: ‘Minha Neguinha’, ‘Esplendor’, a última escrita por Ari Moraes e Moraes Moreira, e por último a faixa ‘Arrête lá, Menina’, escrita e com participação nos vocais e no violão de Seu Jorge.Para quem quiser saber mais sobre essa incrível cantora e compositora segue o Myspace da moça.
Katia Bronstein, mais conhecida como Kátia B. lançou este ano o seu terceiro disco, o ótimo ‘Espacial’ que conta com participação mais do que especial do gaúcho Vitor Ramil. Ela que é também conhecida no Brasil como mulher do baterista João Barone dos Paralamas do Sucesso, tem uma sólida e independente carreira no exterior, já teve seus discos lançados no Japão, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, mas só começou a aparecer com mais força para o Brasil nesse último disco.
“Muita gente não sabe o que realmente sou, uns acham que sou atriz, outros bailarina, outros cantora. Compositora, ninguém faz a menor idéia. Eu sou todas as opções anteriores.” Essa é a autêntica e determinada Kátia B, que já fez realmente tudo isso e hoje se dedica praticamente só para a música.
Neta de russos que fugiram para o Brasil essa carioca de Ipanema surge desde seu segundo album (2003) como uma das grandes realidades da música moderna brasileira. Fazendo uma bossa nova com toques de modernidade eletrônica que não ficam no óbvio, ela consegue dar novo sentido para a sensualidade carioca.
São inúmeras as parcerias desde disco, praticamente todas as faixas são prestigiada por algum parceiro. E essas participações são das mais variadas. Indo do genial e indiscutível Egberto Gismonti, passando pelo amigo e falecido Suba e pelo marido Barone até os djs Dolores e Marcelinho da Lua.
Destaco duas faixas deste segundo album, apesar deste ser um daqueles discos para deixar tocando e esquecer de tão bom e agradável que ele é.
A primeira é a faixa 5, ‘Are you Sleeping’, que tem a participação no piano de Egberto Gismonti e é cantada em inglês. A música aparece duas vezes no disco, a segunda é uma versão bônus maior na faixa 10. Bom, o destaque e principal atenção vão para o piano do Gismonti que junto com as edições e ritmos de Marcos Suzano (um dos produtores do disco) criam uma linda mistura entre o erudito e o moderno.
A segunda faixa que gostaria de destacar é a faixa 1, que dá nome ao disco, ‘Só deixo meu coração na mão de quem pode’. Bem mais brasileira que a moderna ‘Are you sleeping?’, conta além das programações eletrônicas com cavaquinho e violões. Aqui o destaque vai para a linda letra, mais do que para o arranjo ou melodia da música. Segue um pequeno trecho da letra:
“porque não quero teu ciúme que é o cúmulo / ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza / de si mesmo/ projetado / assim jogado / como lama anti-erótica / na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa e eu / não tô à toa / eu sou muito boa / eu sou muito boa pra vida / eu sou a vida”
Este ano Kátia começou a ter o reconhecimento brasileiro que merece com a turnê do album ‘Espacial’ e com o convite para cantar no Tim Festival no mesmo dia que a grande Cat Power.
Para quem quiser conhecer mais sobre a cantora e também ficar por dentro das datas dos shows, que aliás, é um show muito bonito com uma bela produção, segue o site e o myspace da carioca.
A segunda descoberta de Recife que venho mostrar é a banda, originalmente só de mulheres, chamada Comadre Fulozinha, que hoje conta com a dupla Karina Buhr e Isaar de França, da formação original, e um revezamento no resto do grupo, que é composto por músicos convidados.
O grupo que começou em 1997, tem como base a percussão e as vozes e interpretam canções que têm como principal influência as cantigas e os ritmos regionais do Nordeste numa mistura de ritmos como coco, baião e ciranda, com influências variadas. São usados instrumentos típicos do nordeste como bombo, zabumba, congas, djembê, ilú, saxofone, cavaquinho, violão e rabeca, criando uma linguagem própria e cheia de personalidade.
Comadre Fulozinha é o nome de um personagem mitológico do Nordeste Brasileiro que serviu como inspiração ao grupo. O espírito, diz a lenda, é de uma cabocla de longos cabelos que vive na mata protegendo a natureza dos caçadores e que gosta de ser agradada com presentes como fumo e mel. E como uma bom mito brasileiro, tem uma personalidade zombaiteira, algumas vezes até malvada, ela maltrata quem entra na mata sem oferenda e faz tranças no rabo dos cavalos que só são desfeitas depois de muita oferenda.
Destaco nesse disco duas músicas, primeiro a faixa ‘Tocar na Banda’ que num ritmo de baião agitado dá vontade de sair dançando, e ainda conta com o simplório e lindo refrão que revela uma verdade para quem tenta viver de música:
‘Tocar na banda
Pra ganhar o quê?
Duas mariolas e um cigarro Iolanda”
Outro atenção vai para a música ‘Eu também sei atirar’ com uma letra do faroeste nordestino num ritmo de coco com a percussão bem marcada, vale a experiência.
Além desses discos próprios, Comadre Fulozinha, já fez participações em discos de gente grande como o multicultural Manu Chão em ‘Contraditório’, Dj Dolores em ‘Original Olinda Style’ e os conterrâneos do Mundo Livre S/A no disco ‘Por Pouco’.
Em 2000 e 2001 fizeram sua primeira turnê internacional pelo Canadá, Estados Unidos, Bélgica, Suíça e França e não pararam mais.
Ontem (06/07/07) assisti ao primeiro show da Virgínia Rodrigues em Porto Alegre, cantora que eu já conhecia, mas que mesmo assim me surpreendeu bastante no show.
O show foi baseado no disco Mares Profundos de 2003 gravado na Alemanha onde ela canta novas versões para os Afro-Sambas de Vinícius e Baden, uma maravilha o álbum. Aliás, o Afro-Samba parece ser criado para ela cantar, a mistura do erutido com o popular desse estilo cai como uma luva para Virgínia que tem uma formação popular mas tem voz de cantora de gospel ou de ópera.
Além desse repertório que não precisa de comentários o show estava lindo e muito mais emocionante do que eu imaginava.
Talvez pelo lugar, Átrio do Santander Cultural, com suas luzes e tons brancos que contrastavam com a força negra da cantora ou talvez pela impressionante simpatia da cantora que ensaiava passos de dança de candomblé. Ou, talvez ainda, pela presença grandiosa da voz quase lírica de Virgínia acompanhada somente por um violão. Enfim, ela parecia uma verdadeira mãe africana, com suas roupas largas e cabelos enormes.
Essa baiana que começou cantando em igrejas e foi descoberta por Caetano Veloso faz muito mais sucesso lá fora do que aqui no Brasil. Ela já cantou no Hollywood Bowl, no New York’s Tow Hall e no London’s Barbican. Frase do jornal de Londres Observer depois do show dela por lá: “She sailed majestically on stage, beaming like the sun.”
Agora só me falta assistir um show dela com a banda completa!