Modesta Música Moderna

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João Brasil.

Outubro 7, 2009 · 1 Comentário

Além do Nego Moçambique (post prévio) outro dj brasileiro que gosto e respeito bastante é o João Brasil.

O João além de ter uma irônia totalmente conectada com o momento do mundo que vivemos ele é muito talentoso. Seu trabalho, simplificadamente, é fazer mash-ups e remix com um tom e um conteúdo muito brasileiro.

Não tem nada mais dançante e alegre para um pista. Alías, hoje quem quiser ver ele tocando terá que ir para Londres onde ele está passando uma temporada.

Coloco aqui o primeiro e, até agora, único disco dele o ‘Big Forbidden Dance’ (referência clara ao movimento ‘criado’ por ele para a  Volta da Lambada – matéria no O Globo).

Link para baixar o ‘Big Forbidden Dance’.

Além disso existe muitos remix e faixas soltas do João Brasil na internet, basta procurar. Aliás, o João é daqueles artistas que se apropriou muito bem da internet como meio de disseminação e divulgação da sua música.

Três músicas que adoro do João Brasil e que não estão nesse disco:

Baile-funk (baile do parangolé) em homenagem à Caetano Veloso e todo o movimento tropicalista. A edição das imagens ficaram ótimas. Músicas utilizadas no mashup:

Tropicália – Caetano Veloso
Zanzibar – Edu Lobo
Nega do cabelo duro – Luiz Caldas
Swing da cor – Daniela Mercury
Por trás de brás pina – Guinga
Não se acabou – João Donato
Biotech is Godzilla – Ratos de Porão
Panis et circenses – Mutantes
Bocochê – Viniciu de Moraes e Baden Powell
Dançando Calypso – Calypso

Apesar de não ser fã da banda, remix foda de ‘Left Behind’ do CSS.

Remix de ‘Whachadoin’ da ótima dupla N.A.S.A, que aliás tá merecendo um post aqui.

Myspace e twitter do João Brasil para quem quiser saber mais.

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Arlindo Cruz

Janeiro 31, 2008 · 5 Comentários

Nunca escrevi nada aqui no blog sobre um dos ritmos que mais gosto, o samba. Talvez por dificuldade em encontrar artistas e músicos novos que realmente me surpreendam. Mas, como é véspera de carnaval, achei que a data era propícia para a estreia do samba no Modesta Música Moderna.

Existe muita gente nova fazendo samba bom, mas nada muito novo e sim muita releitura de clássicos. O que até é positivo, pois muitas redescobertas e artistas esquecidos estão aparecendo para o grande público. Entretanto, sinto ainda muito falta de novos compositores.Por isso resolvi fazer um post sobre um compositor nem tão novo assim, tem 49 anos, mas que lançou em meados de 2007 seu primeiro e já tardio disco solo de estúdio: Arlindo Cruz.

O compositor, cantor e músico carioca é um dos maiores compositores do samba, ele participou de uma das principais formações do Fundo de Quintal, a chamada formação fundamental. Arlindo entrou no Fundo depois do 1º disco e permaneceu até 1993 (mais de 20 anos!).

Arlindo Cruz tem formação informal (aprendeu a tocar cavaquinho ‘de ouvido’ com 7 anos) e formal (estudou guitarra clássica). Já escreveu quase 500 músicas cantadas por artistas como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Maria Rita, entre muitos outros. Maria Rita gravou 6 músicas do Arlindo no seu último disco, o ‘Samba Meu’, que até está bom para quem nunca tinha cantado samba na vida.’Sambista Perfeito’ é ótimo, um disco maduro de samba. Que não deixa cair no medíocre, nem no senso comum e esteriótipo do samba. As 12 faixas inéditas e 2 regravações de parceiros (as faixas ‘Minha Porta-bandeira’ e ‘Rosa’) passam por diferentes variações e visões do samba: do samba malandro com a faixa ‘Sambista Perfeito’, passando pela romântica e linda ‘Amor com Certeza’ até o dançante ‘Pára de Paradinha’. Outro ponto positivo do disco é a produção de Leandro Sapucahy, grande músico que fez um ótimo trabalho nesse disco e também no último da Maria Rita.

arlindo-cruz.jpg

Outra atração do disco são as participações especiais, que não podiam faltar no disco de um compositor tão generoso como Arlindo Cruz. A primeira é ‘Se eu encontrar com ela’ que tem participações de Zeca Pagodinho, Velha Guarda do Império Serrano e Velha Guarda da Portela. Depois ‘O que é o amor’ com Maria Rita, seguida de ‘O Brasil é isso aí’ com Marcelo D2, entre outras participações.

Sério, as sugestões do que ouvir é impossível dessa vez. Todas são ótimas. Recomendo escutar do começo ao vivo, até porque é daqueles discos feitos de forma pensada. Começa num ritmo calmo com ‘Meu Lugar’, uma homenagem a ‘capital do subúrbio carioca’: Madureira, e vai crescendo até acabar com ‘Entra no Clima’, totalmente em clima de festa.

‘E ainda ser valente sem dar bofetão / Cabeçada ou rasteira / Mas brigar pela arte / A parte melhor de Geraldo Pereira / Elegante do jeito Paulinho / Cativante do jeito Martinho / Ser malandro e contagiante / Do jeito Zeca Pagodinho’ (parte da letra ‘Sambista Perfeito’ de Arlindo Cruz).

Segue o site do sambista. E alguns videos.

(cenas do DVD do Arlindo Cruz)

(Fundo de Quintal convida Almir Guineto, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Sombrinha)

Bom carnaval para todos.’Quem não gosta de samba, bom sujeito não é’ ou nunca ouviu um samba de verdade. Salve o samba!

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Nego Moçambique

Janeiro 23, 2008 · 7 Comentários

No post de hoje vou falar de um dos melhores músicos da música eletrônica brasileira, um dos poucos que consegue fazer uma música eletrônica autêntica, única e com cara de brasileira, o Nego Moçambique (aka Marcelo Martins).

Se autodenominando não DJ, Nego Moçambique é uma referência de misturas e colagem inusitadas que fazem um som único: dançante e quebrado ao mesmo tempo. Frenético, desorganizado e harmoniozo sem parecer esquisofrénico. Suas performances ao vivo são feitas a partir de um Live P.A e não de um toca-discos e são recheadas de muita dança e vocais que misturam o inglês, espanhol, português e dialetos desconhecidos.

O álbum que vou colocar aqui é o ótimo e irreverente ‘La Rumba Computer’ segundo álbum da carreira lançado no final de 2007 pela Segundo Mundo. O disco que conta com 14 faixas foi todo composto, produzido e arranjado por esse produtor que aprendeu a tocar de ouvido, busca seguir sua intuição para compor e acredita que a música eletrônica é a maior expressão do subconsciente, da mistura de referências e informações que recebemos todos os dias.

ft_negorumba-200.jpg

No ‘La Rumba Computer’ um das coisas que chama atenção, fora a qualidade, é a ironia, seja nas composições, letras ou nos nomes das faixas. Os melhores exemplos são: ‘Da Luv iz a bomb’, ‘She loves the superboogie (Melô do Robozão)’ e ‘Watchagonnado’ que mistura na sua letra o inglês com o francês! Como curiosidade, a faixa ‘Dancingsubatomicmonkeyflava’, tudo junto assim mesmo, tem a participação da revelação do samba Thalma de Freitas. Todas as faixas seguem uma composição bem coerente, não existe altos e baixos no álbum, apesar do ritmo nunca ser o mesmo. É um disco para colocar pra tocar e dançar do começo ao fim. Todas as faixas são bem dançantes misturando o Breakbeat e o House (dois ritmos meio opostos da música eletrônica) com pitadas de funk, do funkadelic ao pancadão.

Aconselho três faixas que são minhas preferidas, além da ‘Dancingsubatomicmonkeyflava’ com a Thalma de Freitas. A primeira é a faixa que dá nome ao disco, ‘La Rumba Computer’, ela tem um percussão e um vocal que mistura inglês com dialeto de palavras quase indecifráveis criando a sensação de que estamos no meio de uma tribo africana pós-moderna. ‘Afrikana’, aliás, é a segunda sugestão. Uma faixa sem vocais e que talvez seja a faixa mais ‘pesada’ do disco, consequentemente a menos quebrada e a mais dançante flertando, em alguns momentos, com a Techno music. A última sugestão é a primeira faixa do disco, ‘Wake Up For the Musik’. Um bomba para supreender qualquer um como faixa boas-vindas. Daquelas que tu ouve e pensa: ‘puta, o cara é muito bom’. Uma música que dá muita vontade de dançar, mas de tão quebrada (parece um hip-hop do Beastie Boys) chega a ser difícil! Pra mim a melhor faixa do disco.

Para quem quiser conhecer mais segue o tradicional myspace do cara e um link para o clipe da música ‘Superluz (Sebo nas Canelas)’ que está nesse último disco.

Aproveitem!

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Kátia B.

Novembro 21, 2007 · 6 Comentários

Katia Bronstein, mais conhecida como Kátia B. lançou este ano o seu terceiro disco, o ótimo ‘Espacial’ que conta com participação mais do que especial do gaúcho Vitor Ramil. Ela que é também conhecida no Brasil como mulher do baterista João Barone dos Paralamas do Sucesso, tem uma sólida e independente carreira no exterior, já teve seus discos lançados no Japão, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, mas só começou a aparecer com mais força para o Brasil nesse último disco.

“Muita gente não sabe o que realmente sou, uns acham que sou atriz, outros bailarina, outros cantora. Compositora, ninguém faz a menor idéia. Eu sou todas as opções anteriores.” Essa é a autêntica e determinada Kátia B, que já fez realmente tudo isso e hoje se dedica praticamente só para a música.

katia04.jpg

Neta de russos que fugiram para o Brasil essa carioca de Ipanema surge desde seu segundo album (2003) como uma das grandes realidades da música moderna brasileira. Fazendo uma bossa nova com toques de modernidade eletrônica que não ficam no óbvio, ela consegue dar novo sentido para a sensualidade carioca.

Coloco aqui esse segundo album da cantora, que tem o sugestivo e lindo título de “Só deixo meu coração na mão de quem pode”. Este, por melhor que tenha sido o último disco, ‘Espacial’, ainda é o melhor trabalho da carioca. É o album em que ela começa a deixar bem claro sua marca e estilo, sua identidade.

sodeixo.jpg Capa do disco.

São inúmeras as parcerias desde disco, praticamente todas as faixas são prestigiada por algum parceiro. E essas participações são das mais variadas. Indo do genial e indiscutível Egberto Gismonti, passando pelo amigo e falecido Suba e pelo marido Barone até os djs Dolores e Marcelinho da Lua.

Destaco duas faixas deste segundo album, apesar deste ser um daqueles discos para deixar tocando e esquecer de tão bom e agradável que ele é.

A primeira é a faixa 5, ‘Are you Sleeping’, que tem a participação no piano de Egberto Gismonti e é cantada em inglês. A música aparece duas vezes no disco, a segunda é uma versão bônus maior na faixa 10. Bom, o destaque e principal atenção vão para o piano do Gismonti que junto com as edições e ritmos de Marcos Suzano (um dos produtores do disco) criam uma linda mistura entre o erudito e o moderno.

A segunda faixa que gostaria de destacar é a faixa 1, que dá nome ao disco, ‘Só deixo meu coração na mão de quem pode’. Bem mais brasileira que a moderna ‘Are you sleeping?’, conta além das programações eletrônicas com cavaquinho e violões. Aqui o destaque vai para a linda letra, mais do que para o arranjo ou melodia da música. Segue um pequeno trecho da letra:

“porque não quero teu ciúme que é o cúmulo / ciúme é o acúmulo de dúvida, incerteza / de si mesmo/ projetado / assim jogado / como lama anti-erótica / na cara do desejo mais intenso de ficar com a pessoa e eu / não tô à toa / eu sou muito boa / eu sou muito boa pra vida / eu sou a vida”

Este ano Kátia começou a ter o reconhecimento brasileiro que merece com a turnê do album ‘Espacial’ e com o convite para cantar no Tim Festival no mesmo dia que a grande Cat Power.

Para quem quiser conhecer mais sobre a cantora e também ficar por dentro das datas dos shows, que aliás, é um show muito bonito com uma bela produção, segue o site e o myspace da carioca.

Bom proveito!

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Binário

Novembro 1, 2007 · 2 Comentários

Caminhando pela praia de Ipanema no Rio de Janeiro vejo um banda de rock eletrônico tocando, sim o Rio de Janeiro não é só samba e futebol, como todo boa generalização está também é falsa.

A banda se chama Binário e é conhecida por tocar todo o domingo na beira da praia de Ipanema, não exatamente na beira da praia, mas na avenida Atlântica que proíbe o tráfego de carros aos domingos,. Toda a semana um show de boa qualidade e de graça pra galera. O grupo que está junto a mais de 5 anos é composto por 8 integrantes que tocam desde guitarra, passando por bateria e percussão até sintetizadores eletrônicos e samplers.

Eles já têm um disco chamado Nereida que coloco aqui para baixarem. O disco é bem bom, bem gravado e mostra que o Brasil realmente entrou na onda indie auto suficiente com na Europa e nos Estados Unidos. Onde encontramos artistas independentes fazendo som não comercial de alta qualidade e encontrando meios alternativos para vender seu trabalho, para se sustentarem e viverem da música.

O disco da banda é vendido ali mesmo na beira da praia por apenas 5 reais, preço tabelado e impresso no encarte do cd. Exatamente, eles sem nenhuma vantagem por volume nem contatos e patrocínios conseguem vender um cd por míseros 5 reais! Em algumas lojas do Rio é possível encontrar o disco, também.

Um dos principais motivos desse baixo preço é a tecnologia que eles usaram para gravar o álbum, o SMD (Semi Metalic Disc), tecnologia criada pelo Ralf da dupla sertaneja Christian e Ralf que mantém a qualidade da gravação mas tem um custo muito mais baixo que a tecnologia normal. O selo da banda, o Bolacha Discos, já gravou mais três bandas com essa mesma tecnologia e com esse mesmo preço.

Bom, voltando à música.

capa.jpg

Além do fato de serem uma banda independentes e de eu ter ‘descoberto’ eles na beira da praia de Ipanema o que me surpreendeu mais ainda foi a qualidade do album. Assisti um pouco do show e comprei o cd achando que ia encontrar mais uma nova banda brasileira influenciada pelo Los Hermanos, mas feliz engano. O Binário tem um estilo próprio que mistura kraut rock, hip hop, dub/reggae e música eletrônica e com letras, talvez o que mais me surpreendeu, bem interessantes. Mais uma mostra que diferente do que os grandes críticos dizem não faltam novos compositores no Brasil, o que falta é vontade das gravadoras e grandes interpretes em descobrir-los.

Destaco três faixas do disco, duas pela letra e uma pelo som mesmo.

Pela letra destaco primeiro a faixa 02, ‘Amor Líquido’, totalmente conectada com a pós-modernidade e fluidez do mundo que vivemos a letra é o retrato do jovem que vive essa realidade.

“esse dia é muito caro para ficarmos de paisagem/ tempo é dinheiro porra nenhuma/ um a gente tem de volta o outro nunca.”

Outra letra que é muito boa e também segue essa linha dos conflitos da juventude desse começo de século é a faixa 01, ‘Contrapartida’.

“Contrapartida agora é tarde/não é justo acreditar em equilíbrio/a parte estranha de crescer é ver que o mundo não precisa de você”

E como som destaco a faixa 09, ‘JC’, bem experimental, ela é um rock com vários efeitos de dub e de sintetizadores e samplers.

Para quem quiser conhecer mais da banda segue o Myspace deles e minha dica de quando estiverem no Rio de Janeiro num domingo dêem uma caminhada na beira da praia da Ipanema para ter essa agradável surpresa.

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